Eu ganhei meu primeiro computador em 1986. Era um tal de HotBit. Nem lembro mais direito como aquilo funcionava. Era mais um vídeo game sem muitos cartuchos, já que os jogos eram escassos e caros. Mas eu aprendi alguma coisa de algorítmo na linguagem basic através dele.
Depois meu pai me colocou num curso de informática para aprender a usar um CP-500. Mas só assisti uma semana de aulas porque a gente se mudou da Bahia para o Rio Grande do Norte. Tive que aprender na unha mesmo.
Aprendi pouco, claro. Na época não tínhamos internet em casa e na verdade era algo intangível ainda. No Brasil então, a coisa sempre demorava mais para chegar. Mas esse período serviu prá me tirar o medo de errar. Como eu não sabia muita coisa de informática, eu costumeiramente perdia o que fazia e tinha que recriar. Com isso eu aprendi como fazer a mesma coisa de ‘trocentas’ formas diferentes. Foi legal. Sem compromisso.
Em 1992 eu comprei meu primeiro computador PC. Era um 286 mas já tinha uma novidade para os padrões que eu conhecia: o monitor era monofosfórico branco. Ou seja, as letras não eram mais aquelas verdinhas irritantes. Eu parecia muito moderno. Mas em pouco tempo eu troquei o monitor por um VGA de 256 cores. Era o máximo, já podia jogar ‘Carmem San Diego’ com imagens em cores.
De lá prá cá eu evolui um pouco. Aprendi a mexer no Excel, no Word e daí para começar a mexer no Access foi só descobrir prá que servia aquele botão de ajuda no canto direito. Acho que reli os manuais eletrônicos que acompanham o office mais vezes que qualquer outro texto que tenha gostado. Foi bem instrutivo. Aprendi realmente bastante. Como muita coisa tinha que ser intuitiva, aprendi como criar bases de dados bem particularmente e aproveitar dados de várias tabelas em consultas foi bem instigante.
Até esse momento eu nunca tinha me envolvido profissionalmente com informática. Era um curioso que gostava de ver as coisas acontecerem quando os que me rodeavam nem tinham idéia do que eu estava fazendo.
Lembro-me que quando comprei o 286 e mostrei a um amigo ele comentou com um amigo em comum que eu estava gastando a grana do seguro de vida do meu pai com brinquedos muito caros. Na época não deixou de ser verdade: Computadores eram muito caros e meu primeiro salário da Johnson & Johnson não pagava nem um terço do custo da máquina e meu salário chegava ao montante de 10 salários-mínimos da época.
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Estava desempregado quando surgiu uma entrevista para vagas de vendedor de sandálias e eu fiquei com uma das vagas. Mas em uma semana eu fui devolver o material da empresa porque eles eram muito desorganizados e eu tinha passado uma semana seguindo os passos de outros vendedores. Ou seja, eu fui revender onde um outro vendedor havia acabado de passar. Claro que não vendi nada e desisti. Foi quando o diretor dessa empresa me falou que precisava de alguém para cuidar do sistema de informática da empresa. Topei na hora e fui passar uma semana de treinamento no Piauí onde o pessoal de vendas era orientado por um gerente que usava planilhas em Excel para direcionar as equipes de vendas.
Refiz o sistema que vi no Piauí em Access 97 e passei a ditar o movimento das equipes de vendas em 6 estados do nordeste. Daí fiz um sistema de controle de comissões e de controle de carregamento e distribuição de cargas.
Passei a estudar ASP para aproveitar meus conhecimentos de banco de dados Access para a web. Montei meu primeiro site em html. Voltei prá casa e passei a trabalhar autonomamente fazendo sites.
No início usava o Dreamweaver para montar todas as partes da programação em ASP e com o tempo e estudando com a ajuda da internet passei a criar meus próprios códigos e praticamente não olho mais para a tela de design do DW. Ele funciona mais como um assistente de sintaxe e FTP. Estudei VB.Net e cheguei a montar algumas coisas nessa linguagem, mas meu foco mesmo é a web. Agora estou me ligando em PHP, C# e programação orientada a objeto. Passei no vestibular para o curso superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Software e finalmente vou ter minhas primeiras aulas de programação.